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Rap político e suas vozes ocultas

Júnior Vieira
6 de jul. de 2021
3 min de leitura

Com o crescimento do gênero nas plataformas musicais, ainda existem obstáculos para a representação de minorias na indústria



O Brasil marcou sua presença na edição deste ano do BET Awards, premiação norte-americana, após MC Dricka e Emicida serem indicados nas categorias de “Melhor novo artista internacional” e “Melhor artista internacional”, respectivamente. Tais indicações comprovam a ascensão do rap na indústria fonográfica do país, que se estabilizou como 6º estilo mais ouvido na plataforma nacional do Spotify.


Originado na Jamaica e popularizado nas periferias estadunidenses, o gênero surgiu como um veículo de expressão para a comunidade negra e se expandiu durante os anos 1980. Aqui no Brasil, o movimento ganhou força na década seguinte quando dançarinos e MCs começaram a se encontrar em praças e estações de metrô de São Paulo. Com o emergir de artistas como Thaíde e Ndee Naldinho, músicas que denunciavam a intolerância patrocinada pelo sistema começaram a ser adotadas pelo público. Posteriormente, o rap inspirou a criação de outros estilos, como o trap, subgênero que vem dominando as paradas musicais nos últimos anos.

A inclusão não atinge a todos

Ainda que se trate de um ritmo derivado das camadas não elitizadas da sociedade, a sua popularização abriu um caminho para a criação de letras que se habituassem ao mainstream. Dominado por homens, músicas sobre sexo e ostentação passaram a ser criadas sob uma ótica machista normalizada pela indústria. Tal fato fez com que a discussão de outras minorias fossem silenciadas.


Atualmente, mesmo com a proporção de uma maior diversidade, o espaço é limitado para aqueles que tentam uma carreira dentro do ritmo. Guigo é um artista musical brasileiro que participa do Quebrada Queer, o primeiro grupo cypher LGBTQIA+ de rap da América Latina: “acho que basicamente a gente se juntou por uma necessidade, que era ser ouvido.”


Para ele, seu encontro com o gênero aconteceu de repente, uma vez que esse não proporciona um estímulo para pessoas da comunidade. “Não existia a tal visibilidade necessária para que a gente se reconhecesse”, afirma. “Definitivamente contribuímos muito mais para o rap do que ele tem contribuído para nós, artistas LGBTQIA+.”



[Imagem: Guigo/Arquivo Pessoal]


“Minha arte é apenas o relato da minha época”, declara Guigo.

Quando se trata sobre o espaço dominado pelas mulheres, a problemática também é encontrada. Fundada em 1995, a categoria de melhor álbum de rap no Grammy Awards só foi ganha por uma rapper solo em 2019, com a vitória de Cardi B. Uma esperada e tardia conquista que chegou após incansáveis denúncias que apontavam o racismo e o machismo da premiação.


“Nunca se esqueça que o Grammy não me deu o troféu de Artista Revelação quando eu tinha sete músicas simultaneamente nas paradas da Billboard e a maior semana de lançamento que qualquer outra mulher rapper na última década, o que inspirou uma geração”, disse Nicki Minaj em uma publicação de 2020 no Twitter. “Eles deram o prêmio para o homem branco Bon Iver”. Essa categoria só possui duas rappers vitoriosas: Lauryn Hill, em 1999, e Megan Thee Stallion, em 2021.


Novos horizontes

No solo nacional, Guigo ganha destaque por trazer suas experiências em seu trabalho. Seu último projeto, intitulado “Lúcifer: O Evangelho Segundo Meus Demônios”, aborda sua versão sobre fatos que viveu: “fui vilanizado por conta de rumores que não necessariamente faziam jus à realidade das coisas.”


Dentro deste período pandêmico, no qual a crise sociopolítica se mostra presente de forma árdua, Guigo contribui para a representação do movimento negro e LGBTQIA+ por meio da arte da resistência, e, junto a outros artistas, pinta a nova face do rap. “Nossas vidas têm a cada dia ganhado mais espaço em nossa arte”, diz confiante. “Continuar colocando a minha cara a tapa no momento político que estamos é um símbolo de expressão da opinião, é semiótica pura.”


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3 comentários


lydiaharve.y50.4.4.4
há um dia

GG88 có dễ dùng không nhỉ; mình thử lướt vài phút thì thấy cũng ổn, kiểu vào là nhìn ra ngay chỗ cần bấm chứ không phải mò mẫm; menu điều hướng đặt rõ ràng nên đổi mục nhanh, kéo xuống thì các khối nội dung chia tách gọn gàng nên mắt đỡ mệt; mình chỉ đọc phần giới thiệu thôi, thấy họ nhắc khá nhiều đến tiêu chuẩn vận hành chuyên nghiệp với bảo mật, nghe không hoa mỹ mà đủ để yên tâm khi xem thông tin; mấy đoạn nội dung cũng viết theo kiểu ngắn gọn, có tiêu đề rõ nên không phải đọc liền một mạch mới hiểu; nói chung mình thích cách họ chia bố…

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Moisés Araújo - Som de Teclado
Moisés Araújo - Som de Teclado
24 de mai. de 2022

É contra a polarização? Acredita que o STF está muito amarrado com a política? Ouça a música abaixo.😉

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Moisés Araújo - Som de Teclado
Moisés Araújo - Som de Teclado
24 de mai. de 2022

https://www.youtube.com/watch?v=pIFWInQad9U

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