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50 anos de Hip-hop: das periferias de Nova York para o resto do mundo

Em 2023 o Hip-hop, gênero que mudou completamente a música e a cultura ao redor do globo, completa 50 anos de história


Por Paloma, Marina, João Gabriel, Pedro Malta


Foi em agosto de 1973 que o DJ Kool Herc, jamaicano, misturou as batidas de dois LPs diferentes para criar um som novo, com destaque para o ritmo contagiante e “inserts” de vocais descontraídos, num apartamento do bairro do Bronx, em Nova York. Diferente de outros tantos DJs da época, que tocavam disco nas festas populares pelo distrito, Herc preferiu discotecar algo mais semelhante ao funk (estadunidense), ao soul e ao reggae, e assim nasceu o gênero que hoje conhecemos como Hip-hop. Outros DJs importantes para o início do estilo foram Afrika Bambaataa e Hollywood.


O Hip-hop foi logo aclamado pelo público, que ouvia os DJs tocando samples e fazendo os famosos “scratchs” em festas realizadas nas ruas, chamadas de block parties. É nesse momento que outros elementos, hoje quase indissociáveis ao hip-hop, são incorporados à cultura: a arte de rua, o breakdance e o rap. Ainda em 1973 surge a Zulu Nation, ONG fundada por Afrika Bambaataa dedicada a disseminar a cultura hip-hop. Segundo o artista, as batalhas de MCs e disputas de break foram maneiras de canalizar a violência presente nas ruas dos bairros periféricos, tomadas pelos conflitos de gangues e pela violência policial, em arte e em criatividade.


E no Brasil?

O Rap chegou ao país em 1986, na cidade de São Paulo. Nesses primeiros anos em solo brasileiro, o ritmo foi extremamente marginalizado. Com o tempo, os grupos de diferentes bairros passaram a se juntar na Galeria 24 de Maio e na estação São Bento do metrô, onde declamavam suas rimas. O primeiro álbum do gênero foi a coletânea Hip-Hop Cultura de Rua de 1988 e popularizando na década de 1990. Grandes nomes dessa época são DJ Hum, Thaíde, Facção Central, Sabotage, Planet Hemp, Gabriel O Pensador, O Rappa, Pavilhão 9 e, principalmente, Racionais MCs.


Israel, estudante de Letras na USP, é conhecido nas batalhas de rap paulistanas como Obanai Sykes. Segundo o MC: “O rap foi esse estilo de música justamente de protesto. O principal [grupo] que a gente tem no Brasil é o Racionais. Então, o Racionais, fazendo a música Diário de Um Detento é sobre o massacre do Carandiru. Faz toda a denúncia do sistema prisional e de como os prisioneiros eram tratados, mostra essa resistência. O rap sempre falou sobre elevar a autoestima do povo preto, do povo de quebrada, fazer músicas contra a violência policial, tem toda essa essa raiz de resistência, né? E nos anos 90 foi quando mais popularizou justamente com o Racionais. Então, a gente fala de rap, a gente associa automaticamente ao Racionais, porque é quem mais saiu daquela bolha que existia”.


Com o aumento de popularidade, o rap logo transcendeu as ruas da periferia e alcançou as mais diversas camadas da sociedade brasileira. Vertentes como o trap e a poesia acústica tiveram maior adesão das classes médias, enquanto artistas como Emicida são aclamados pelas elites intelectuais por suas letras complexas e historiográficas. “E isso tem toda uma problematização de se perder as raízes do que realmente é o Hip Hop como uma cultura de resistência. O rap como uma música de resistência.” comenta Obanai.

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