• Felipe Velames

SlamOz: a importância da batalha de poesias para as pessoas.

Mais uma edição do SlamOz ocorreu na estação de Osasco demonstrando como o evento possui importância para seus participantes e o público do evento.


Por Felipe Velames


SlamOz ocorreu na estação de Osasco no dia 25 de Maio reunindo várias pessoas para conferir a performance de trabalhos autorais dos candidatos [Imagem: Reprodução/Felipe Velames]


A Estação de Osasco presenciou, no dia 25 de maio, mais uma edição do SlamOz, uma batalha de Slam que ocorre toda última quarta-feira do mês. Reunindo dezenas de pessoas em uma roda ao lado da estação de Osasco, o evento começou às 20h e contou com pessoas de diferentes idades e origens declamando a sua poesia para quem estava presente no local.

Para quem não está familiarizado com o termo "slam", ele consiste em uma competição de poesia entre diferentes candidatos que possuem três minutos para falar seus trabalhos autorais em voz alta, enquanto são avaliados por um júri composto por pessoas selecionadas da plateia. Surgido no Brasil em 2008, sendo a primeira edição de rua ocorrida no bairro da Guilhermina em 2012, o slam de rua possui uma grande importância para a comunidade como um todo, desde os artistas que recitam seus versos até o público que assiste com emoção àquelas performances.


O Slam como uma arte feita para inspirar e empoderar


Ashley abordou temas como o racismo e a questão da pandemia eu sua poesia [Imagem: Reprodução/Felipe Velames]


De acordo com a jovem slammer Ashley, uma das artistas que performou sua poesia original durante o evento, o slam é uma das maneiras que ela encontrou de expressar seus sentimentos e suas emoções. Para ela, a poesia é uma forma que as pessoas buscam para manifestar suas ideias e realmente fazer os outros ouvirem o que você tem a dizer.

Como pôde ser observado em seus trabalhos autorais que ela declamou ao vivo durante o evento, a artista busca utilizar a poesia para inspirar as pessoas ao redor dela e criar vínculos com os presentes no local.

“Espero que minha poesia tenha mudado algo no dia ou na vida de quem a escutou'' disse Ashley ao ser questionado do porquê ela escreve poesia e declama no slam “Sempre procuro me manter informada do que está acontecendo no mundo para transmitir isso em meus versos.”


O Slam para as crianças


Criança se apresentando no palco do SlamOz em um dos momentos mais emocionantes da noite. [Imagem: Reprodução/Felipe Velames]


Um dos momentos mais ilustres da noite foi quando uma criança foi até o "palco" do evento e declamou uma poesia de sua autoria. De acordo com Carol Seixas, mãe do garoto que se apresentou, o slam é um espaço que as crianças podem ter contato com a arte popular e democrática de fato, em que elas conseguem ouvir e falar com quaisquer pessoas que se apresentem no local, independente da origem ou classe social.

Além disso, a arte possui um papel fundamental na vida de Carol, que também é uma poeta e pintora, porque impede ela de "enlouquecer", auxiliando a expressar seus sentimentos e emoções de uma forma nunca vista. Novamente, observa-se o papel do slam para as crianças, já que uma determinada expressão artística pode ganhar um significado completamente novo para elas.


O Slam como uma ferramenta política e social


Os jurados foram responsáveis por avaliar inúmeras poesias ao longo da noite que falaram sobre assuntos diversos, como críticas ao governo Bolsonaro e o racismo [Imagem: Reprodução/Felipe Velames]


Muito mais do que uma forma de expressão artística para os poetas que proclamam seus projetos autorais, o slam também é um importante meio de engajamento político e social para aquelas pessoas. De acordo com o jornalista Joselicio Junior, cujo tema de mestrado é a relação das manifestações artísticas com a política, o slam é uma ferramenta de consciência social e política de grupos marginalizados, como os negros, mulheres e a população LGBTQIA+

Essa importância do slam para questões sociais e políticas pôde ser observada nos próprios discursos dos slammers que se apresentaram na noite, já que uma grande parte abordou questões como machismo, racismo, homofobia, além de constantes críticas ao governo Bolsonaro e a pandemia.

“Você ouviu o barulho dos tiros? É difícil parar quando se tá com um B.O na mão e a arma na cintura” diz Ashley em um de seus versos criticando a violência policial contra jovens negros periféricos “Meu inimigo eu sei quem é, ele usa colarinho branco. Você é só um escravo alienado e eu sou apenas uma garota insignificante”.


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