• Caroline Sena

Os E-sports estão ocupando lugares dentro e fora da internet, e na periferia não é diferente

Para tratar dessa nova modalidade que está conquistando o Brasil, a Central Periférica convidou a AfroGames, pioneira na formação de atletas de E-sports nas favelas, para uma entrevista de apresentação do assunto.


por Carolina Sena.



Jovens em um treinamento em Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Foto por: Mauro Pimentel. 06/05/2021.


E-sports são competições envolvendo jogos eletrônicos, onde os jogadores, geralmente atletas profissionais, disputam partidas que são assistidas presencialmente e online. O “e” representa eletrônico e “sports” é a palavra em inglês para o termo “esporte”. Entre os mais novos, essa modalidade já se tornou sensação e é difícil encontrar um jovem que não saiba o significado desse termo. Alguns jogos famosos nessas competições são League of Legends, Valorant, Counter-Strike e Free Fire.


Diante desse cenário, o Grupo Cultural AfroReggae, uma ONG que usa arte e cultura para promover inclusão e justiça social em favelas na cidade do Rio de Janeiro, em conjunto com o empresário Ricardo Chantilly, criaram o AfroGames, em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio. O projeto surgiu a partir da falta de pessoas pretas no cenário gamer brasileiro, tanto atletas como espectadores, e em pouco tempo causou um impacto grande não só na cidade do Rio, mas nacionalmente.


Por isso, a Central Periférica convidou Mariana Uchôa, uma das colaboradoras responsáveis pelo AfroGames para falar um pouco sobre a organização e do cenário dos E-sports no Brasil, principalmente para a classe mais pobre e para pessoas pretas, que são o motivo de existência do projeto.


O impacto do projeto é claro quando olhamos para os números de crescimento. Ao explicar o processo de surgimento do projeto, Mariana nos relatou: “Começamos em 2019 com um centro, atendendo 100 alunos, e a gente está fechando o ano com quatro unidades, atendendo 500 pessoas.”


Além de Vigário Geral, as outras unidades ficam no Complexo da Maré e no Morro do Estado, em Niterói.


O trabalho realizado pela organização segue dois segmentos: ensinar os jovens a jogar e também produzir jogos, contando com aulas de programação e desenvolvimento e até produção de trilha sonora e gerar trabalho e renda, com atletas e criadores de conteúdo do cenário.


Ao ser questionada sobre como a AfroGames ajuda na composição profissional futura dos alunos, Mariana nos informa: “A gente tem um percentual de 20% de alunos nossos que entraram no mundo do trabalho dentro desse segmento gamer, não só como pró-player (jogador profissional) mas como criadores de conteúdo e estagiários em algumas empresas dentro do segmento gamer.” Isso significa que um quinto dos alunos que passam pelo projeto conseguem seguir uma carreira profissional. “A gente acredita nos esportes eletrônicos como uma ferramenta de enfrentamento à vulnerabilidade social e também econômica que esses jovens dentro desse território de favela encontram.”


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