• Danilo Queiroz e Thais Morimoto

AfroGames abre duas novas unidades no Rio de Janeiro

Centro de formação de atletas de e-sports aceitará 200 jovens da periferia nas unidades que abrirão oficialmente no dia 16 de julho.


Por Danilo Queiroz (daniloqueiroz@usp.br) e Thais Morimoto (thais.am@usp.br)


Treinamento das equipes das novas unidades. (Reprodução/Instagram AfroGames)


O AfroGames, primeiro centro deformação de atletas de e-sports em favelas do mundo, abrirá duas novas unidades no dia 16 de julho. Localizadas na Vila do João e da Nova Holanda, ambas no bairro da Maré, Rio de Janeiro, cada unidade tem previsão para atender 100 jovens da periferia.


No espaço, os alunos terão aulas de programação de jogos digitais e dos e-sports: Valorant, League of Legends e Free Fire. As novas unidades são patrocinadas pela IHS Brasil, uma das filiais da IHS Towers.


Os e-sports são esportes eletrônicos que surgiram há poucos anos. Para ser classificado como um e-sport, o jogo eletrônico deve possibilitar que haja disputas entre jogadores que atuam como atletas profissionais. O público costuma assistir de forma presencial ou online, através de plataformas de streaming e televisão.


Apesar de recente, o mercado de e-sports movimenta bilhões de dólares por ano. Mas, segundo a coordenadora executiva e social do projeto, Mariana Uchôa, não era possível encontrar atletas periféricos, o que motivou o surgimento do AfroGames.


Sobre o projeto


O AfroGames foi criado em 2019, a partir da ONG AfroReggae e do empresário de entretenimento, Ricardo Chantilly. De acordo com Mariana, a ideia nasceu em 2017, quando as empresas ainda não se interessavam em investir em jogos digitais. Na ocasião, Ricardo percebeu a oportunidade e apresentou o universo dos e-sports para a ONG.


Nasceu, então, a sede do AfroGames, localizada na comunidade do Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Ao longo dos três anos de operação, a unidade já formou mais de 300 jovens e segue em busca de expansão por outras comunidades.


Para se tornar um aluno, é necessário se inscrever durante o processo seletivo e ter mais de 12 anos. Segundo Mariana, o projeto é voltado ao jovem da periferia, mas não limitado a ele, e um dos diferenciais é que não há nenhum pré-requisito educacional.


“A gente entende que nós somos um projeto de inclusão. E se a gente exclui o aluno que não vai nem para a escola, a gente está excluindo os jovens de favela que mais precisam estar dentro do nosso espaço”, diz a coordenadora. “Dentro desse território de vulnerabilidade social, um único espaço de proteção social que o Estado ainda exerce é a escola, então o jovem de favela que não está nem na escola, ele não está em nenhum espaço protegido socialmente”, complementa. Em casos como esse, há tentativas de fazer o jovem ingressar na educação formal a partir da equipe do movimento.


Dentro do AfroGames, existem dois eixos que separam os jovens que fazem parte do projeto: o Eixo Educacional e o Eixo de Formação. Enquanto no primeiro os alunos aprendem a jogar os e-sports e a programação deles, no segundo o objetivo é formar atletas de alto rendimento.


A mudança na vida do jovem periférico


Morador da comunidade da Palmeira, no Rio de Janeiro, Elder Aleixo, 22 anos, é um dos jovens que fazem parte do Eixo de Formação. Há aproximadamente cinco meses, ele entrou para o time de atletas do Free Fire do centro de capacitação e, desde então, joga profissionalmente.


Antes de ingressar à equipe, Elder já havia participado de campeonatos, mas, por não ter nenhum retorno financeiro, o jogador não se sentia motivado a continuar, situação que mudou com o AfroGames. Além de receber bolsa no valor de um salário mínimo, os atletas recebem treinamento, aulas de inglês, acompanhamento psicológico e preparo físico técnico. “O Afro transformou minha vida de maneira que eu nem esperava”, conta o jovem.


O AfroGames também mudou a visão das pessoas em relação ao Elder.


“As pessoas costumam olhar para a gente (que mora em comunidades), apontar e falar: esse daí não vai ser ninguém na vida e, hoje em dia, depois que eu entrei para o Afro, querendo ou não, mudou muita coisa, muitas pessoas me olham diferente” Elder Aleixo

Ele também relembra uma situação vivida quando estava jogando Free Fire na rua. “Veio uma criança e ela falou comigo que na escola dela as pessoas ficam falando de mim. Então, é gratificante você ver que você está se tornando uma inspiração para outras pessoas”. O jogador também é muito grato a toda a equipe relacionada ao projeto. Para ele, esses “são os cinco melhores meses da minha vida de 22 anos”.



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