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Água Santa: paixão azul e branca

Atualizado: 17 de mai. de 2023

O time que saiu da periferia de Diadema para a final do Paulistão


Por Júlia Helena Freitas, Marina Giannini e Miriã Gama



(Reprodução/Instagram @ecaguasanta)


“Ninguém segura a água, essa Água Santa

Água que ferveu meu coração

A paixão empurra, sangue, raça e luta

Nossa história de superação”

Trecho do hino do EC Água Santa


No hino, na arquibancada e no campo. A garra do Esporte Clube Água Santa está eternizada na canção do time e também na memória dos torcedores. “Guerreiro, essa seria a palavra [para definir o time], não só pela campanha, mas sim pela história, pelo preconceito que o time carrega. Superou todos os desafios e adversários e chegou onde ninguém imaginou, é um time de guerreiros”, afirma Igor Calazans, membro da Torcida Uniformizada Tubarão Azul, resumindo o sentimento dos torcedores do clube carinhosamente apelidado de Netuno, em referência ao grande rei dos mares.


Netuno este que, diferentemente do ser mitológico, não nasceu na água, mas em um campo de terra batida. Fundado por imigrantes de todo Brasil que moravam em Diadema, o clube conquistou seu espaço. Tido inicialmente como lazer dos moradores da periferia, o futebol foi profissionalizando-se à medida que o grupo ganhava diversas partidas de várzea, avançando depois para competições maiores na cidade e no estado de São Paulo.


Entre essas competições está o Campeonato Paulista, popularmente conhecido como Paulistão. Este ano, o time alviceleste participou da Série A1 dele, obtendo um resultado histórico após uma campanha marcante. Em apenas sua terceira participação na primeira divisão do estadual, toda garra água-santista foi coroada com o segundo lugar em um dos campeonatos mais difíceis do país.


A conquista do vice-campeonato veio acompanhada de grande destaque para o time, que já vinha em uma crescente durante os últimos anos. Joaquim Ribeiro é centroavante da equipe sub-15 do Netuno e destaca que é muito gostoso sentir a vibração de jogar em um time grande, que muitas pessoas já reconhecem o uniforme e param para o questionar sobre como é ser jogador do Água. “Muito bom viver este momento de um clube que surge no meio dos grandes e com muita qualidade”, afirma.


O mesmo sentimento de orgulho está presente nos corações azuis da torcida. Em entrevista concedida ao Central Periférica, Higor Moreira da Silva, presidente da sub-sede Canhema da Tubarão Azul, reitera que foi incrível viver este momento histórico, após anos de sofrimento e dificuldades, chegar na final do estadual foi uma vitória. “Literalmente parecia um sonho, mas não, era a pura realidade. (…) Um time que antes era mal falado, mal visto, hoje é aplaudido de pé e elogiado por todos.”


A história não foi feita apenas no Paulistão, uma vez que o clube também conquistou classificações inéditas para a disputa da Copa do Brasil e do Brasileirão Série D, ambos em 2024. Todos esses feitos são uma clara demonstração de que, com muita luta e investimento, times tidos como “pequenos”, iniciados no futebol amador, podem sim emergir como protagonistas em cenários estaduais e nacionais no mundo do futebol.


“Muita emoção ver o tanto que o time lutou e cresceu até aqui. Não tenho palavras pra descrever o jogo contra o Botafogo [de Ribeirão Preto], aquele gol de falta do Luan Dias que cravou a classificação pra série D do brasileiro e pro mata mata do Paulistão… só sei que fui as lágrimas, me marcou muito esse jogo” - Rodrigo Pires


Entre tantos depoimentos e histórias, talvez a palavra "garra" seja ideal para definir o Esporte Clube Água Santa. Estas cinco letras descrevem com exatidão o time que batalhou muito para chegar aonde está; saiu dos campos de várzea para os maiores estádios de São Paulo. Apesar de tantas mudanças e evolução, algo se mantém: a paixão azul e branco no coração dos torcedores. Sentimento que se aviva cada dia mais e impulsiona o time a crescer.



BIBLIOGRAFIA:


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