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A UniverCidade Fluxo e o livre ensino

Coletivo promove educação livre e autodirigida nas periferias


Por Sofia Helena Lanza



Arte de divulgação do projeto UniverCidade Fluxo [Imagem: Divulgação/UniverCidade Fluxo]


Em praças da região da Cidade Líder, na zona leste de São Paulo, respira a UniverCidade Fluxo, um espaço para livre aprendizado iniciado em 2019. Realizada pelo coletivo periférico É Bom de Ver, Cidade, a iniciativa reúne, semanalmente, jovens entre 16 e 30 anos para troca de saberes e desenvolvimento de projetos, baseando-se em um modelo de educação guiado pela curiosidade do aluno.

A universidade livre acredita que é necessário partir dos interesses e vontades dos alunos para traçar uma estratégia personalizada de ensino. Como afirma um dos idealizadores do projeto, Ciano Buzz: “um projeto pedagógico massa, é aquele que inicia ouvindo a comunidade de estudantes, a comunidade macro daquele território. E entendendo quais são os recursos, quais são as ausências, as necessidades, os interesses”. Para isso, logo no começo, os alunos constroem, em conjunto, seu espaço de aprendizado: como seria o ambiente ideal, o que gostariam de aprender e o que podem ensinar.



Atividades do Festival de Saberes, quando os alunos apresentam e trocam conhecimentos [Imagem: Divulgação/UniverCidade Fluxo]



Ao contrário do modelo tradicional de ensino, em que o estudante é simplesmente exposto à conteúdos pré-determinados, em um sistema com grades curriculares, divisão por séries e provas, a UniverCidade Fluxo propõe uma educação por projetos. Nela, os jovens podem escolher um tema de seu interesse e aprender todas as suas relações com o mundo e outros conhecimentos. Por exemplo, caso um aluno escolha “pipa” como seu tema de projeto, em suas pesquisas ele aprenderá sobre a história e a cultura da China, formas geométricas, artesanato, aerodinâmica e vários outros assuntos, guiados pela curiosidade de seu interesse.

Assim, o estudante aprende de forma conectada e crítica, e não fragmentada como no ensino formal. “Quando eu deixo aberta a possibilidade das pessoas aprenderem, a possibilidade das pessoas escolherem, as coisas não ficam de fora. Quando é um interesse genuíno, ele nunca é uma coisa fragmentada, não tem como ser”, afirma o educador.

Para maior aprofundamento nas pesquisas, o projeto também entra em contato com especialistas, para que os alunos tenham conversas mais técnicas sobre o que estudam e assim, são definidos os seus mentores. Os organizadores também mapeiam os saberes dessa pequena comunidade, para que haja uma troca. Isso permite uma educação horizontal, onde todos são educandos e educadores, sem a hierarquia rígida de professor-aluno.

No final do projeto, o aluno apresenta o que aprendeu da forma que escolher, seja com uma apresentação, fanzine ou organizando sua própria oficina para compartilhar seus conhecimentos. Para Ciano, não são necessários grandes estruturas e espaços para aprender, basta uma troca de ideias: “A educação se dá no encontro de pessoas, nas pequenas coisas que a gente faz. É comunitária, se dá na comunidade”.


Para saber mais sobre o educador Ciano Buzz, clique aqui.



Alunos da universidade livre reunidos para uma apresentação final da jornada de aprendizagem [Imagem: Divulgação/ UniverCidade Fluxo]

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