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Pedagogia solidária do Cursinho dos Pimentas

O Cursinho Comunitário apresenta um movimento social em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Seus voluntários, muitos ex-alunos, atuam diretamente no ingresso de jovens de baixa renda nas Universidades


Clarisse Macedo e Camilly Rosaboni


Foto: Cursinho Comunitário Pimentas


Fundado há 20 anos, o Cursinho Comunitário Pimentas (CCP) pré-vestibular foi idealizado pelo Professor Rômulo Ornelas, na periferia de Guarulhos, e se destaca por ser inteiramente gratuito e formado por voluntários. “O critério para fazer parte do projeto, a princípio, é querer ajudar os alunos. A maioria dos voluntários são ex-alunos, mas sempre temos voluntários que acabam conhecendo a história do projeto e vêm participar”, afirmou Douglas Lotto, advogado pela USP e professor do cursinho.


O projeto já ajudou a colocar centenas de jovens nas melhores universidades do Brasil, dentre elas a Universidade de São Paulo (USP), considerada a melhor universidade latino-americana no ranking World University Rankings. Seu grande diferencial é a pedagogia solidária, na qual todos são agentes criadores do conhecimento, sendo assim um projeto autossustentável. Em entrevista ao Central Periférica, Karine Santos, aluna do CCP, comenta que a ideia de “comunitário” é bastante cultivada, porque a maioria das pessoas que recebem ajuda retornam para ajudar depois de serem aprovadas.


Apesar de seu papel no aprendizado, o CCP encontra dificuldades em manter alunos que têm dupla jornada: trabalho e estudo. O professor Lotto explica que, a partir de uma visão coletiva, ao longo destes 20 anos, foram construindo a estrutura necessária e, atualmente, os maiores impasses são os de conseguir fazer alunos de menores rendas não abandonarem o curso para trabalhar.


Andreza Cristina, doutoranda em Química pela USP, conta que, quando concluiu o Ensino Médio, passou dois anos trabalhando em uma lojinha de sua rua. Quando ficou sabendo do Cursinho, ela já dedicava mais de 12 horas por dia no trabalho e teve de conversar com o pai sobre deixar de lado o emprego para estudar. “Arroz e feijão não vai faltar, pode ir estudar” foi o que ele respondeu à filha.


Além da atuação pré-vestibular, o cursinho também tem ações de permanência estudantil. Segundo o professor Lotto, essa medida se dá pela arrecadação a partir de um trabalho de conscientização ambiental como parte das aulas de cidadania. Ao longo do ano, os alunos separam materiais recicláveis, que são vendidos e o dinheiro arrecadado gera um pequeno fundo que é dado ao aluno para custear passagem e outros gastos no início do curso. Andreza lembra que cursinho pagou valores de sua passagem para o campus da Unesp quando foi aprovada.


Com sua proposta de iniciação científica pela FAPESP, Andreza recebeu um prêmio no último ano de graduação e esse valor a ajudou a arcar com custos da carreira. Assim que terminou a faculdade, fez seu mestrado e foi convidada a dar aula em uma escola particular renomada. Atualmente, é doutoranda pela USP, professora e coordenadora no curso de química.


Andreza, em 2007, no Congresso de Iniciação Científica [Imagem: Reprodução/WhatsApp]


Outro projeto que surgiu ao longo da trajetória do Cursinho foi a Associação Babi. “A Babi, Bárbara Cristina Sá, foi aluna do cursinho. Ela se formou e fez mestrado em ciências sociais na Unifesp. Ela faleceu em 2011, então montamos uma associação e colocamos o nome em homenagem a ela para fazer estes outros projetos que vão além do cursinho”, conta Lotto. No espaço da associação, são oferecidos diversos cursos gratuitos para pessoas da periferia, como balé, karatê e música. Além disso, o programa Farmácia Popular também é vinculado à associação, contribuindo para o melhor acesso aos medicamentos para a comunidade ao oferecê-los gratuitamente.




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