• Beatriz Nogueira

Enem e Fuvest em 2021

A conjuntura de instabilidades e desafios para os candidatos de baixa renda nos principais vestibulares do país


Por Beatriz Nogueira

[Imagem: Reprodução/Pexels.com

Os vestibulares ocorrem pela 2º vez consecutiva em contexto de pandemia e de instabilidade política e econômica. Setores como a educação sofrem cortes orçamentários federais cujos impactos ainda serão assistidos nos próximos anos.


Apesar da conjuntura, em 2021 a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que organiza a prova de seleção para os cursos de graduação da USP, tem 110.383 mil inscritos, e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) tem 3,1 milhões de inscritos, sendo tradicionalmente os vestibulares mais concorridos do Brasil. Na Fuvest deste ano, as carreiras de Medicina, Psicologia e Relações Internacionais lideram a lista de carreiras com maior procura.


Vestibular da Fuvest 2022, relação candidato/vaga

[Imagem: Reprodçuão/relação candidato/vaga, Fuvest 2022]

Para 2022, a USP dispõe de 11.147 vagas, das quais 8.211 se destinam para a seleção pela Fuvest, sendo 4.954 vagas reservadas aos candidatos na modalidade ampla concorrência (AC), 2.169 vagas para candidatos de escola pública (EP) e 1.088 para alunos de escola pública autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (EP/PPI). Há também 2.936 vagas para ingresso por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu/Enem).


Os candidatos inscritos no vestibular da USP, contaram também com iniciativas como a campanha Amplia que garantiu o pagamento de inscrições do vestibular com o objetivo de promover a inclusão e a diversidade social e racial na universidade. Já os inscritos no Enem deste ano passaram pelo contratempo já resolvido com relação à isenção da taxa de inscrição. Em maio foi anunciado que os candidatos que tiveram isenção em 2020 e não compareceram ao exame, deveriam justificar ausência para pedir a gratuidade no Enem 2021. Em setembro, após decisão do Supremo Tribunal Federal de reabertura das inscrições para os os participantes com direito à isenção da taxa de inscrição sem restrições, houve o aumento de 9% no número de participantes. Com a medida, mais de 1,4 milhão de gratuidades foram concedidas.


A repercussão acerca da restrição para isenção da taxa de inscrição do Enem girou em torno do grande número de candidatos de baixa renda que poderiam ficar de fora do exame. A possibilidade contribuiria para a maior elitização no acesso ao ensino superior no país, em especial no acesso às universidades públicas.


Além dos desafios do vestibular, ingressantes de baixa renda e racializados lidam com demandas de permanência estudantil e com os cortes nos investimentos para as universidades públicas


A USP adere cotas raciais desde 2017, tendo sido a última das universidades do país a aderir tal política afirmativa que visa reduzir disparidades étnico-raciais. Mesmo com tal avanço, a USP ainda enfrenta as demandas por maiores investimentos em estrutura e na permanência estudantil, há também necessárias mudanças nos paradigmas de seu ensino ainda considerado positivista e eurocêntrico. Em 2021, as universidades federais sofreram cortes de 18,16% de seu orçamento, nos quais implicam em sucateamento de suas estruturas e retrocessos na pesquisa científica nacional.


Em 2021 ocorrem os dois principais vestibulares do país e outros, mesmo com instabilidades e desafios. O Enem acontece nos dias 21 e 28 de novembro e a prova da 1ª fase da Fuvest está prevista para o dia 12 de dezembro.


Referências:

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/explicita-mensagem-contida-na-revogacao-das-cotas-na-pos-graduacao/


https://www.geledes.org.br/com-cotas-usp-quadruplica-numero-de-estudantes-negros-e-indigenas-em-10-anos/


http://www.anpg.org.br/06/04/2015/fflch-aprova-cotas-raciais-e-para-deficientes-em-programa-da-pos/


https://jornal.usp.br/tag/permanencia-estudantil/


https://www.camara.leg.br/noticias/749955-orcamento-2021-e-sancionado-educacao-economia-e-defesa-tem-maiores-cortes/






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