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EJA: Conheça a modalidade e os desafios dos estudantes

O Ensino remoto não foi a única dificuldade para os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Por Laisa Dias (laisa.dias@usp.br)

Imagem: Reprodução/Pixabay

Durante a pandemia do Covid-19, a educação brasileira passou por um novo desafio: o ensino remoto. O distanciamento social e aulas online foram essenciais para o controle da Pandemia, porém, também trouxe maiores índices de vulnerabilidade social, o que muitas vezes acarretou no aumento da evasão escolar.

A preocupação é ainda maior para os alunos da periferia, que em alguns casos não tinham acesso ao básico necessário para os estudos remotos (computador, Internet, local adequado). Essa evasão escolar, não apenas por causa da Pandemia, leva muitas pessoas a procurarem pela EJA no futuro, uma vez que acabam precisando daquilo que tiveram que abandonar por diversas implicações.


A EJA é destinada para aqueles que não tiveram acesso ou não concluíram o Ensino Fundamental (6° ao 9° ano) e Médio (1ª a 3ª série). Nesse grupo, encontra-se uma massa heterogênea de pessoas, com idades e motivações diferentes, todos com o objetivo de concluir os estudos.

Anderson, professor que trabalha com a EJA há cerca de 18 anos, aponta que, na maior parte das vezes, o público retorna aos estudos para conseguir sua recolocação no mercado de trabalho. "Um dos motivos mais comuns é por conta de emprego, que as vezes exige-se que tenha o Ensino Médio completo", diz Anderson.

Hilda, de 57 anos, encontrou dificuldades para acessar a escola durante sua infância por questões financeiras, mas sempre manteve os estudos como prioridade. "Na escola nós éramos iguais, lá estávamos para crescer, aprender e para melhorar um pouco a nossa situação financeira", relata Hilda. Após ter filhos e precisar trabalhar ainda mais para manter sua família, Hilda não conseguiu conciliar seus estudos e retornou a escola apenas em 2017. Ela conta que além da necessidade do Ensino Médio para continuar no trabalho, tinha o retorno aos estudos como um grande sonho. "Eu não podia nem concorrer a certas vagas devido a falta dos meus estudos", ressalta Hilda.


O público da EJA, de acordo com o professor Anderson, é composto na maior parte das vezes por pessoas mais velhas que estão há muito tempo sem estudar. Porém, há muitos casos de jovens que retornam a escola após um tempo. Ádria Aialle, de 25 anos, deixou os estudos em 2017 após problemas familiares e resolveu retornar também por causa das oportunidades que podia perder. "As maiores oportunidades hoje em dia são para aqueles que tem o Ensino Médio completo. Isso fez com que eu abrisse meus olhos", diz a jovem. Ádria, é mais um caso dentre muitos em que vêem nos estudos uma saída em direção ao conforto financeiro e sucesso profissional.


Dificuldades dos alunos da EJA

As maiores dificuldades evidenciadas durante a Educação de Jovens e Adultos é o retornar aos estudos após tanto tempo, como o caso de Hilda. Muitas pessoas passam anos sem quase contato algum com as atividades escolares e quando precisam encarar novamente essa rotina, acabam se sentindo perdidos e não sabem por onde começar. "Eu estava bem desatualizada, me preocupava com trabalho, casa e filhos e de estudos, já não me lembrava de muita coisa", conta Hilda, ao contar que percebeu que muitos aspectos haviam mudado e agora ela precisaria se adaptar os novos desafios. Outra dificuldade frequente dos alunos é conciliar estudos ao trabalho, uma vez que a EJA entra como uma nova atividade na rotina de pessoas que, muitas vezes, já tem pouco tempo entre as tarefas de casa e do trabalho.


Hilda e Ádria ainda dizem que se sentiam muito atrasadas por não terem concluído os estudos. "Eu me sentia bem impossibilitada de realizar concursos públicos", diz Hilda, que procurava terminar o ensino médio para concorrer a melhores vagas de emprego em seu próprio trabalho. Enquanto Ádria, aponta que sentia a sensação de atraso ao reparar as pessoas que estavam ao seu redor.

Além das dificuldades, é frequente que as pessoas que precisam terminar seus estudos não procurem ajuda por vergonha da situação em que se encontram, falta de informação e até mesmo a sensação de incapacidade, por acreditar que já passaram do "tempo correto". Os fatores ainda somam com os desafios do Ensino Remoto durante a pandemia, "Foi um pouco mais difícil para eles conseguirem acessar o Google Sala de Aula, fazer atividades pelo Google Formulário", salienta Anderson, ao retratar que as pessoas mais velhas encontravam dificuldades para mediar as tecnologias e eram auxiliadas da melhor forma possível pela escola, por meio de tutoriais e grupos para que pudessem tirar dúvidas e aprender como utilizar as novas ferramentas.


EJA e ENCCEJA: como diferenciar?

É comum que aqueles que não concluíram seus estudos sintam-se confusos em relação a escolha que devem fazer para terminar seus estudos, não sabem se iniciam a EJA ou se há uma forma mais facilitada e rápida. A resposta é que há uma maneira ainda mais ágil para concluir os estudos: o ENCCEJA.

Na EJA, o aluno passa por três etapas, referentes aos três anos do Ensino Médio e cada etapa dura um semestre. Já no ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), o aluno realiza uma prova que vai analisar os conhecimentos básicos do estudante maior de dezoito anos. Passando nessa prova, o aluno recebe a certificação de conclusão do Ensino Médio. "É mais um atalho ainda do que própria EJA já é com relação ao Ensino Médio Regular", conta Anderson.


As inscrições para a EJA devem ser feitas pelos interessados na escola que oferece a modalidade. Eles devem aguardar a confirmação de que há vagas e se a resposta for afirmativa, a própria escola chamará o aluno. Ou, caso não consiga a vaga, o indivíduo pode procurar pela Diretoria de Ensino da região em que reside, que irá encaminhar para uma escola que atenda a modalidade EJA.

Já as inscrições do ENCCEJA iniciaram no dia 24 de maio e vão até o dia 4 de Junho. Ela deve ser feita pela Internet, onde o interessado irá preencher seus dados pessoais e de realização da prova. As provas serão aplicadas no dia 28 de agosto em todos os estados e não há taxa para inscrição.



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