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Os obstáculos no caminho da cura

'Entre o impacto do diagnóstico, dos sintomas e do trajeto, o apoio de familiares e amigos se mostra fundamental.'


Julia Moreira Martins


Lilian e seu marido Josimar, seu principal apoio durante o tratamento da leucemia.


Quando uma pessoa é diagnosticada com câncer, uma de suas maiores preocupações é o tempo. A identificação precoce é a chave para se ter maiores chances de alcançar a cura de forma rápida e eficaz. Entretanto, a atuação do sistema de saúde falha em garantir a agilidade e, na maior parte dos casos, os municípios sequer têm estrutura e equipamentos para realizar os tratamentos.


Quando isso ocorre, é feito o encaminhamento para outro município que tenha as condições necessárias, mas a mudança envolve deslocamento e consequentemente engloba questões de transporte e verba para pagar combustível ou passagens de ônibus, trem ou metrô que serão utilizados. Esse gasto adicional pesa no bolso e pode tornar até inviável o trajeto dos pacientes. Em situações como estas há duas alternativas: recorrer à Secretaria de Saúde do município e requerer um auxílio transporte (que pode ser por meio de transporte ou financeiramente, de acordo com o procedimento de cada subprefeitura) ou contar com amigos e parentes que tenham condições de fornecer essa ajuda.


A segunda alternativa foi a utilizada pela moradora da periferia de Taboão da Serra, Lílian Pinto, diagnosticada com leucemia em 2019, "As minhas idas e vindas eram feitas por parentes, a gente não sabia. Só depois de um tempo que a gente foi saber dessa história [referente ao auxílio transporte fornecido pela Secretaria de Saúde do município]". Para ela, a contribuição dos familiares no deslocamento entre sua casa e o Hospital das Clínicas, onde fez o tratamento, fez total diferença nos períodos de fragilidade. "Eu vinha muito fraca, debilitada… Eu não comia, o que eu colocava 'pra' dentro eu soltava". Os efeitos colaterais são outro obstáculo enfrentado pelos pacientes que, além de encarar questões psicológicas e de autoestima devido às diversas inseguranças e alterações corporais ocasionadas, também sofrem de um intenso desgaste físico. Com o trajeto sendo feito a pé ou por transporte público, o esforço é mais elevado.


Assim, mais uma vez, o suporte na locomoção se faz essencial, já que o apoio de conhecidos não é algo que todos os cidadãos podem contar. A falta de informação em casos como estes tem se mostrado um reflexo da precária orientação e divulgação realizada pela Prefeitura para a população, que não sabe de seus direitos e precisa proativamente entrar em contato com as Secretarias e perguntar ou cobrar que algo seja feito. A Secretária de Saúde no município de Taboão da Serra, local onde mora Lílian, entrevistada na reportagem, foi contatada para que mais informações fossem dadas sobre o caso. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.


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