• Manuel Savoldi

Usuários da CPTM enfrentam aglomeração

Atualizado: 30 de Nov de 2020

Sem saída: usuários da CPTM enfrentam aglomeração até no domingo


Passageiros reclamam de demora e lotação em plataformas do transporte


Por Manuel Savoldi


Estação Pinheiros. [Foto: Manuel Savoldi]

A demora entre os trens faz com que ocorra um excesso de passageiros também em dias não úteis. Assim, até aqueles que buscam fugir dos horários e dias de pico, como forma de se prevenir contra covid-19, acabam pegos de surpresa. Além disso, devem enfrentar o calor e as nuvens de pernilongos.


Quem chega na Estação Pinheiros da CPTM na cidade de S. Paulo em um domingo quase sempre acaba tendo que se entreter por algum tempo, exceto em casos de sorte grande, quando se chega junto dos vagões. O problema é causado principalmente pelo tempo entre um trem e outro, com uma média de 26 minutos entre si. A demora prevista na tabela de faixas horárias e intervalos programados entre trens é até maior que a constatada na Estação Pinheiros, sendo de 30 minutos no domingo para a Linha 9 - Esmeralda, que serve o local.


A estação faz baldeação com a Linha 4 - Amarela do metrô, que possui um intervalo de trens muito contrastante, pouco mais de 5 minutos. Com isso, os passageiros que saem do metrô para fazer a baldeação acabam se acumulando nas plataformas da CPTM, à espera dos trens.


Odete Maria Oliveira, uma mulher de 62 anos - já dentro do grupo de risco da doença -, ao observar que a reportagem perguntava sobre a demora dos trens, tratou de se aproximar e desatou a falar: “Fica muito difícil pra mim, sabe? Trabalho numa casa de família e moro lá a semana toda, não tenho família em São Paulo. [...] Estamos todo mundo cumprindo bem o isolamento, mas fazia muito tempo que eu queria sair por mim mesma, precisava comprar alguns presentes… Aí achei que se eu saísse no domingo seria mais tranquilo, mas quebrei a cara, né? Esperar meia hora pra pegar o trem cheio de gente, nesse calor, ninguém merece”. No dia da reportagem, a temperatura estava elevada, potencializada pela estação ser ao lado do Rio Pinheiros, permitindo que o sol fique bem de frente àqueles que esperam o trem, sem prédios para fazer sombra.


Conversamos também com um guarda da estação, que preferiu não se identificar. Como Odete, ele expressou dúvidas sobre o motivo de, em um período inédito de emergência sanitária, não haverem mais trens circulando nesses dias, dizendo que a situação que podíamos observar era recorrente.


Procurada, a CPTM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a demora ocorre devido às modernizações e manutenções na linha, que não conseguem ser efetuadas somente durante as madrugadas. Além disso, comunicou que a companhia atua intensamente nos avisos sobre a demora, sendo sonoros ou visuais, para que os passageiros possam se programar melhor. Durante toda nossa estada no local, não pudemos ver nem ouvir qualquer um desses avisos.


Senhor dos Mosquitos

Como se não bastasse enfrentar a demora e o calor, é só o sol começar a baixar que as nuvens de pernilongos aparecem. Quase invisíveis na semi escuridão, pegam os passageiros desprevenidos, que se veem obrigados a manter uma movimentação constante, tentando impedir que pousem na pele, ou a aceitar o sofrimento e relevar as picadas.


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