• Emilly Gondim

O declínio da saúde mental dos trabalhadores

A sanidade está relacionada aos sentimentos de medo, ansiedade e estresse, nesse sentido a pandemia é um ambiente propício para desencadear doenças mentais.


Por Emilly Gondim



Supermercado com muitas pessoas próximas [Imagem: Emilly Gondim]



“Eu ainda sinto medo, tenho que trabalhar e aí vejo que as pessoas agem como se nada tivesse acontecendo, indo a bares e também não usam máscaras" É o que a moradora de Governador Valadares (MG), relata e esse não é um problema isolado e sim uma tendência.


Nesse mais de um ano de pandemia, no Brasil pouco se cumpriu o isolamento social, com o argumento que se as pessoas parassem de trabalhar haveria fome. Contudo, o que vemos atualmente é a população cada vez mais pobre com o crescente desemprego, pois segundo o IBGE o Brasil mantém 14,7% desempregados. Sem renda fixa, a insegurança alimentar afeta essas pessoas.


Ao mesmo tempo que trabalhar fora de casa parece ser a única alternativa para a maior parte da população é também um grande risco. O vírus do covid-19 segue fazendo vítimas, principalmente entre os trabalhadores. Em um estudo feito pelo Instituto Polis na cidade de São Paulo, apresenta que houve 37,8% de mortes por covid entre as pessoas empregadas no período de março de 2020 a março de 2021.


Nessa linha, os trabalhadores de limpeza urbana da cidade manifestaram no dia 8 de junho de 2021, sua indignação por não serem priorizados na vacinação, já que são responsáveis por um serviço essencial e de risco, por terem contato com lixos possivelmente infectados. Com essas razões também vemos entregadores de alimentos, atendentes de mercados, pedreiros e outras categorias que estão diariamente trabalhando apesar dos riscos e sem nenhuma atenção dos governantes para realizar a vacinação desses grupos.


Enquanto os trabalhadores sofrem trabalhando incansavelmente, as pessoas explodiram uma moda de que deveriam sair para restaurantes sem máscaras ou qualquer proteção eficaz contra o vírus, justificando estarem prezando a própria saúde mental, o problema está que após esses acontecimentos pode causa culpa moral levando ao desgaste do que inicialmente era para ser preservado, conta Danielle Vasconcelos, mestre em Psicologia Clínica e Cultura pela UnB.


Esses fatores causam a vulnerabilidade da classe trabalhadora que é atingida pelo medo do vírus e da fome. Ambos resultam em insegurança e estresse que podem desencadear doenças psicológicas de acordo com Valéria Fernandes, mestra em Psicologia e Família pela UFMT.


Portanto, evidencia-se que enquanto a vacinação não priorizar pessoas que estão sofrendo na linha de frente, elas continuaram numa situação amedrontadora possibilitando o desenvolvimento de transtornos psicológicos ou depressão que já afeta um a cada quatro americanos segundo a Organização Pan-Americana da Saúde.