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Estilistas periféricas evidenciam empoderamento

Maneiras diferentes de pensar a moda auxiliam mulheres empreendedoras a conquistar sua renda própria e consumidoras a assumirem suas identidades


Ingrid Gonzaga e Sthefanie Lacerda


Imagem: Arquivo Pessoal


Localizado no bairro Parque Fernanda, Capão Redondo, está o ateliê de Raquel Pérola Negra. Criado há quatro anos, o local oferece peças modeladas, desenhadas e costuradas por ela. “A Raquel faz tudo”, explica a empreendedora.


No empreendedorismo há dez anos, Raquel criou seu ateliê pensando em suas necessidades pessoais. “Eu trabalho muito com a moda plus size. Às vezes eu ia comprar algumas roupas e não me cabiam, não ficavam legais, confortáveis e com estilo. Então eu trouxe esses detalhes muito importantes para a Pérola”.


Segundo a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o mercado de moda plus size registrou um movimento de 7 bilhões de reais no Brasil entre 2018 e 2019. A média de crescimento anual é de 10%.


Suas roupas, com estampas e cores chamativas, são bem diferentes das comumente encontradas no mercado. Isso porque Raquel faz as peças com o pensamento voltado para a temática afro, que ressalta a beleza da mulher preta.


A moda independente, como a que Raquel faz, permite que públicos diversos, que não se veem no mercado de moda tradicional, também sintam-se representados. Um artigo publicado em 2019 na revista dObra[s] e escrito pelas doutoras em História pela Universidade Estadual de Maringá, Ana Caroline Siqueira Martins e Carla Cristina Siqueira Martins, analisa, entre 2013 e 2017, o São Paulo Fashion Week – evento mais importante de moda da América Latina e o maior do Brasil. No artigo, elas concluem que o evento privilegia corpos brancos, magros e jovens/adultos, o que reforça um padrão estético de beleza difundido e reforçado pela moda por décadas.


“Isso faz com que as nossas crianças cresçam mais conscientes, mais representadas e mais valorizadas também.”, conta Raquel


Imagem: Arquivo Pessoal


O ateliê Pérola Negra é construído por várias mulheres empreendedoras que trabalham com o mesmo tema. Durante a pandemia, o empreendimento passou a vender itens como faixas de cabelo, turbantes, colares, brincos e bonecos produzidos por outras artistas. A iniciativa evidencia a importância da coletividade na moda independente e periférica: “a gente tem que sempre se apoiar. Se a gente se apoiar, a gente consegue minimamente avançar. Se ficar no individualismo, ninguém vai conseguir chegar a lugar nenhum”, argumenta Raquel.


A estilista conta também a importância que tem seu trabalho para a comunidade negra. Muitas clientes tinham dificuldades em aceitar os próprios corpos e cabelos mas, com as roupas produzidas pelo ateliê Pérola Negra, recuperaram sua auto estima. “Elas chegaram muitas vezes com dores e hoje são extremamente empoderadas”, relata. Mais do que somente peças, os produtos da moda periférica são meios de abrilhantar ainda mais o estilo de mulheres negras. “Você vestir uma camiseta que te representa e que através da estampa dela passa uma mensagem é maravilhoso. Isso faz com que as nossas crianças cresçam mais conscientes, mais representadas e mais valorizadas também. Para o futuro isso é maravilhoso”, finaliza.



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