• Osmar Neto

Esporte é a fogueira da esperança, Lula da São Remo é o fogo que a alimenta.

Aliando muita vontade de ensinar com sua grande consciência social, Lula Santos muda a vida de jovens diariamente através do esporte.


Por Osmar Neto



Treinador Lula com seus alunos do Projeto Social “Escola de Futebol Catumbi” [ Imagem: Lula da São Remo / Arquivo Pessoal ]

Luiz Marcos dos Santos Silva, “Lula Santos” ou até “Lula da São Remo” tem 48 anos, e é morador da comunidade que acompanha seu apelido, desde que tinha um ano de vida. Ele é formado em Licenciatura e Bacharelado de Educação Física, também possui pós graduação em Treinamento Esportivo, e tem uma vasta experiência treinando crianças e adolescentes.


Lula trabalha no “Projeto Meninas Em Campo” como professor desde janeiro de 2019, também trabalha no “CEU BUTANTÔ como Coordenador de Núcleo de Esportes e Lazer, além de dar aula no Projeto Social “Escola de Futebol Catumbi” onde são atendidas crianças e adolescentes dos 5 até os 21 anos de idade, que moram na comunidade São Remo ou em outras comunidades próximas.


O treinador que é representante da São Remo na “CUFA” (Central Única das Favelas), conta que os projetos sociais esportivos em que trabalha enfrentam muitos problemas no que diz respeito a área financeira. Ao ser questionado sobre a existência de possíveis auxílios da prefeitura, parceiros e similares, ele responde, “Não temos nenhum recurso, esse é o nosso maior problema!”


Lula conta ainda, que quando surge alguma necessidade de maior urgência para a sequência dos projetos, as comunidades é que prestam apoio, “A gente tem muitas dificuldades, mas temos o cuidado com a situação. Por conta de sermos conhecidos pelo nosso caráter e eu ser nascido e criado na São Remo, as pessoas me conhecem... então se eu precisar de alguma coisa, as pessoas tentam me ajudar de alguma forma. Temos esse laço com a comunidade, isso facilita com que consigamos as coisas, se precisarmos de alguma ajuda ou uma bola por exemplo, o pessoal me ajuda. Essa parte financeira é muito complicada.”


Muitos atletas mirins sonham em fazer do esporte sua profissão, utilizando o futebol como ferramenta para obter seu sustento, sucesso e carreira. Lula explica que mesmo tendo um papel fundamental na vida de todos os alunos, nem sempre as coisas funcionam da maneira como eles gostariam, ele também responde se algum de seus atletas já chegou à profissionalização, “Infelizmente não tive a experiência de ver um atleta treinado por mim se profissionalizando, tem um momento da vida em que eles têm que escolher entre a prática esportiva ou trabalhar para ajudar a família. Hoje, no Brasil, é muito difícil para o atleta se manter por meio do esporte, não existem recursos suficientes para isso. Eles só são reconhecidos quando conseguem alguma conquista importante, o que acontece por meio de forças próprias... sem nenhum patrocínio.”



[ Imagem: Lula da São Remo / Arquivo Pessoal ]

O professor fala com orgulho do papel que o esporte pode exercer na vida dos jovens nas comunidades, mesmo quando não acontece tudo conforme o planejado. “Para muitos jovens o esporte exerce uma função muito importante, participando da formação de cada cidadão e auxiliando nos aspectos acadêmico e disciplinar. Pois no decorrer dos esforços dos alunos, mesmo que ele não alcance o objetivo de se tornar um atleta profissional terá uma formação acadêmica e profissional para dar seguimento na sua vida.”


A opção da vida associada com a criminalidade é um problema que assola as comunidades, principalmente quando se trata dos jovens. O professor fala a respeito disso e também sobre as medidas e metodologias aplicadas para evitar essas situações, “Nós buscamos educar pelo esporte, manter um tridente comunicativo entre família, projeto e escola. No Projeto Social Escola de Futebol Catumbi falamos muito sobre esses aspectos com o ‘Craques na escola, bons de bola’”.


Lula ainda destaca, “Na prática esportiva também ensinamos valores, como disciplina, respeito, simplicidade, humildade. Buscamos também aproximar a família ao Projeto para incentivar as crianças e fortalecer os laços familiares. Hoje é muito difícil trabalhar com crianças, adolescentes e jovens em meio à criminalidade pois essa oferta na visão deles (crianças, e adolescentes) é muito boa.”


Por fim, ele destaca que uma das principais maneiras de evitar a evasão nos projetos é criando um espaço confortável, onde todos sejam ouvidos e se sintam acolhidos. Tudo isso de uma forma conjunta, oferece esperança para os jovens, que seguem acreditando na chama de Lula!

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