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Balé impacta realidade de meninas no Rio de Janeiro

Por Clarisse Macedo e Júlia Galvão

[Imagem: Divulgação/site Ballet Manguinhos]


Ballet Manguinhos, situado na zona norte do Rio de Janeiro, promove atividades culturais que impactam a realidade de meninas do bairro. Segundo Carine Lopes, diretora do ballet, um dos dados mais significativos é a redução da gravidez na adolescência entre as participantes


Há 10 anos a companhia de dança Ballet Manguinhos se erguia com a iniciativa de Daiana Ferreira, professora de dança motivada pelo desejo de impactar a realidade de jovens da comunidade. Vários obstáculos foram superados após sua fundação, como o encerramento temporário de atividades e a pandemia de COVID-19, que teve Daiana como vítima. Mesmo assim, reergueram-se com a força da equipe e com patrocínios, alcançados principalmente após serem retratados no The New York Times. Hoje atendem mais de 400 alunos, além dos 700 nomes na fila de espera, promovendo o autoconhecimento das jovens.


“A arte do balé clássico, em si, é elitizada, então os produtos dessa arte são extremamente caros e nem todo mundo tem condição de comprar para fazer as aulas”, comenta Carine Lopes, diretora da Manguinhos. O acesso e a prática de atividades clássicas, como o balé, não é um consenso nas periferias. Também não está no senso comum a figura de meninas com sapatilhas e saias em lugares com maiores índices de pobreza. Na verdade, os consensos são outros.


Dos 410 alunos, 98% são meninas. “Quando você trata de um público de meninas, você começa a entender tudo que rodeia esse universo feminino, e uma dessas questões é a gravidez na adolescência, que é cultural principalmente nos territórios mais vulneráveis”, explica a diretora.



[Imagem: Divulgação/Ballet Manguinhos]


O problema da gravidez na adolescência é muito mais profundo do que se imagina. Dados do Conecta SUS (2021) revelam que a faixa etária de 10 a 14 anos expressa 6% do indicador de gravidez na adolescência – 1.409 meninas em número absoluto – e, de acordo com a Lei 12.015, essa faixa é considerada estupro de vulnerável. Atividades como as desenvolvidas pela Ballet Manguinhos se mostram ainda mais importantes nesse cenário. “Nesses 10 anos de atuação, tem 0,01% de gravidez na adolescência dentre os 3.000 alunos que já passaram por aqui. Uma única menina engravidou, e foi aos 19 anos”, compartilha Carine.


Além do balé, a Manguinhos apresenta conteúdos sobre consciência corporal, como ciclo menstrual e prevenção de doenças, além de ações voltadas à vestibulares. Carine comenta: “Além de formar artisticamente, queremos que os alunos escolham, pois têm de fato um caminho de sucesso dentro da profissão escolhida. Se for balé é ótimo, mas se não for, que seja uma outra profissão, mas que não fique nesse vácuo”.


Para que essas iniciativas continuem mudando realidades, alguns outros obstáculos têm de ser superados. Atualmente a maior dificuldade enfrentada pela Ballet Manguinhos é a falta de recursos e de investimento, mas você pode ajudar. A colaboração pode ser feita pela plataforma Doare (doa.re/bm), através do contato pelos números (21) 97003-9770 / (21) 97003-4027 ou pelo e-mail ballet.manguinhos@gmail.com .


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